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Chegam a 70 os pedidos de impeachment de Bolsonaro

Chegam a 70 os pedidos de impeachment de Bolsonaro

15/02/2021
Fonte: Rede Brasil Atual
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Apesar de tantos pedidos, impeachment do presidente Jair Bolsonaro carece de pressão social, prejudicada pela pandemia. 

Um círculo vicioso impede que qualquer um dos processos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro avance. O número já chegou à casa dos 70 pedidos. As razões vão dos mais diversos crimes de responsabilidade contra a Constituição Federal, ao atentado contra a vida diante do descaso com a pandemia do novo coronavírus. Ainda os crimes contra os biomas da Amazônia e do Pantanal, e o genocídio da população indígena. Além de apologia à tortura, ataques à democracia, à soberania nacional, aos direitos humanos, crimes de racismo. Motivos não faltam. “Mas sem pressão das ruas é muito difícil avançar o impeachment de Bolsonaro”, avalia a jurista Tânia Oliveira, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia.

om a pandemia do novo coronavírus, há quase um ano cessaram os grandes protestos que reuniam milhares de brasileiros nas ruas de todo o país em protestos contra o governo Bolsonaro. Ou seja, o círculo vicioso que mantém as pessoas em casa para não agravar as mortes por covid-19, favorece o governo responsável pela alarmante quantidade de casos da doença no Brasil. Nesta sexta-feira, segundo o Conass, em números oficiais o número de doentes havia passado dos 9,7 milhões e 237.489 vidas foram perdidas.

“E objetivamente falando: o recebimento do pedido de impeachment é feito quando o presidente da Câmara dos Deputados faz isso. O Arthur Lira (PP-AL) acabou de ser eleito com o apoio do governo Bolsonaro. Então, evidentemente, ele não tem nenhum ímpeto de aceitar pedido de impeachment, sejam 60, 70 ou 200”, afirma a advogada. “A grande questão é que o pedido de impeachment era difícil e agora está ainda mais com um apoiador do governo dirigindo a Câmara dos Deputados.”

Câmara parceira

Algumas das votações mais importantes realizadas por aquela que se auto intitula a Casa do Povo, indicam de que lado realmente está a maioria dos deputados federais no Brasil. Bolsonaro e seus projetos de retirada de direitos do povo e da soberania nacional têm vida fácil na Câmara dos Deputados.

A “reforma” da Previdência promovida por Bolsonaro é um exemplo. Apesar de dificultar a vida da população e reduzir recursos pagos aos aposentados e pensionistas, a votação deu larga vantagem ao governo federal. Realizada em dois turnos – já que se tratava de uma proposta que alterava a Constituição – contou com 379 votos a favor da reforma no primeiro turno e 370 contra. A oposição a Bolsonaro e à reforma da Previdência ficou com 131 votos no primeiro turno e 124 no segundo turno.

A eleição de Arthur Lira é outra manifestação da tranquilidade que permite a Bolsonaro fazer as lambanças que faz, sem ter de se preocupar com os pedidos de impeachment que lotam as gavetas da Mesa Diretora da Câmara. Lira foi eleitos com 302 votos. O segundo colocado, Baleia Rossi (MDB-SP), ficou com 145 votos. Os outros seis candidatos à Presidência da Câmara somaram 56 votos. Houve dois em branco.

A mais recente mostra do poder de Bolsonaro entre os deputados federais foi a votação pela autonomia do Banco Central. O projeto, polêmico por ampliar a influência do mercado financeiro sobre o BC e a economia nacional, recebeu 339 votos a favor e 114 contrários, com uma abstenção.