
O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão na sua história, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Ao longo do ano, foram contabilizadas 4.515 denúncias — um aumento de cerca de 14% em relação a 2024, quando já havia sido batido o recorde anterior.
Esse crescimento representa uma tendência de alta contínua nos registros, refletindo tanto o agravamento das condições de exploração quanto a crescente utilização dos canais de denúncia, que permitem ao cidadão reportar casos de forma anônima.
As denúncias incluem diversos tipos de violações graves que caracterizam trabalho escravo contemporâneo, como: jornadas exaustivas, sem tempo adequado de descanso; condições degradantes de trabalho e moradia; restrição de liberdade de locomoção dos trabalhadores; servidão por dívida; casos de trabalho escravo infantil. Os dados de 2025 mostraram que janeiro foi o mês com o maior número de registros já feito desde a criação do Disque 100, em 2011, com 477 denúncias apenas no primeiro mês do ano.
Trabalhadores e cidadãos que identificarem situações de trabalho em condições degradantes ou análogas à escravidão podem denunciar: Disque 100 — serviço gratuito que recebe chamadas de qualquer lugar do Brasil; Sistema Ipê — plataforma on-line do Ministério do Trabalho que também recebe denúncias anônimas e informações detalhadas sobre casos.
O aumento recorde de denúncias reforça que, embora o trabalho escravo tenha sido abolido formalmente no Brasil em 1888, formas contemporâneas de exploração persistem em setores como construção civil, agricultura e outros ramos da economia. Esse cenário evidencia a urgência de ações contínuas de fiscalização, prevenção, resgate e responsabilização de empregadores que violam direitos trabalhistas. Além de denúncias, as autoridades realizam ações de fiscalização e resgate de trabalhadores em condições degradantes. Em anos anteriores, operações coordenadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertaram milhares de pessoas em situações análogas à escravidão, e mais de 65 mil trabalhadores foram resgatados desde 1995.