
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em conjunto com centrais sindicais, lançou uma jornada nacional de debates para fortalecer a mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1 no Brasil. A iniciativa ocorre em um momento considerado estratégico para o avanço das discussões no Congresso Nacional sobre propostas que alteram o atual modelo de jornada previsto na Constituição Federal.
A campanha reúne seminários, debates públicos, formação política, produção de conteúdo técnico e articulações sindicais em diversos estados brasileiros. O objetivo é ampliar o diálogo com trabalhadores, especialistas, parlamentares e movimentos sociais sobre os impactos econômicos, sociais e de saúde relacionados às longas jornadas de trabalho. Segundo o DIEESE, a proposta em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além do enfrentamento à escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e folga apenas um. Para o movimento sindical, a discussão representa uma pauta histórica da classe trabalhadora, praticamente sem mudanças estruturais desde a Constituição de 1988.
A mobilização ganhou força nos últimos anos impulsionada por movimentos sociais e pela repercussão do tema nas redes sociais. O chamado Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por trabalhadores que denunciam os impactos físicos e emocionais das jornadas exaustivas, ajudou a colocar o debate no centro da agenda pública. Entre as principais reivindicações estão melhores condições de vida, preservação da saúde mental, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e redução do adoecimento relacionado ao excesso de trabalho.
Dados citados em materiais técnicos das centrais sindicais apontam que milhões de trabalhadores brasileiros ainda cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Levantamentos com base na PNAD/IBGE mostram que uma parcela significativa dos empregados trabalha entre 41 e 44 horas semanais, enquanto outra parcela ultrapassa esse limite legal.
O tema também divide opiniões entre especialistas e setores empresariais. Entidades sindicais defendem que jornadas menores podem aumentar a produtividade, reduzir afastamentos por doenças ocupacionais e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Já representantes do setor patronal demonstram preocupação com possíveis impactos sobre custos operacionais e competitividade das empresas. A expectativa das centrais sindicais é ampliar a pressão popular e institucional para que o Congresso avance na votação das propostas relacionadas ao tema ainda em 2026.