
A violência contra a mulher ultrapassou os limites do mundo físico e ganhou força também no ambiente digital. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que as denúncias de violência praticada pela internet cresceram 188,6% entre janeiro e maio de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 16.725 registros, contra 5.795 ocorrências contabilizadas em 2025.
As ocorrências envolvem diferentes formas de violência, como perseguição em redes sociais, ameaças, chantagens, divulgação de imagens íntimas sem consentimento, criação de conteúdos falsos com inteligência artificial (os chamados deep nudes), exposição da vida privada, intimidação e ofensas que afetam a dignidade e a segurança das vítimas.
Segundo o Ministério das Mulheres, o crescimento das denúncias não significa apenas aumento dos casos, mas também uma maior confiança das vítimas em buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
O fortalecimento do serviço e a melhoria no acolhimento contribuíram para reduzir a subnotificação e ampliar o registro dessas ocorrências. Diante desse cenário, o governo atualizou os protocolos de atendimento do Ligue 180 e promoveu a capacitação de cerca de 350 atendentes, que passaram a receber treinamento específico para identificar situações de violência digital e orientar corretamente as vítimas sobre os procedimentos de denúncia e proteção.
Outra medida importante foi a entrada em vigor do Decreto nº 12.976/2026, que estabelece novas obrigações para as plataformas digitais no combate à violência contra mulheres na internet. Entre as determinações está a remoção, em até duas horas, de imagens íntimas divulgadas sem autorização da vítima, além da equiparação dos conteúdos manipulados por inteligência artificial às imagens reais para fins de proteção. Os dados também revelam um perfil preocupante das vítimas. Em 2025, quase metade das mulheres que denunciaram violência digital eram negras, e a maioria tinha entre 25 e 49 anos.
Outro indicador mostra que grande parte das vítimas possui baixa renda, evidenciando que a violência digital também está relacionada às desigualdades sociais e de gênero. Especialistas destacam que a violência digital pode causar impactos tão graves quanto as agressões presenciais, provocando danos emocionais, psicológicos, sociais e até profissionais. Por isso, a orientação é que vítimas preservem provas, como capturas de tela e mensagens, registrem boletim de ocorrência e procurem os canais oficiais de atendimento.
Como denunciar
As mulheres que sofrerem qualquer forma de violência digital podem buscar ajuda por meio dos seguintes canais: Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher; Delegacias de Defesa da Mulher; Polícia Civil; Ministério Público; Defensoria Pública. O combate à violência contra a mulher também precisa acontecer no ambiente virtual.
Denunciar, acolher as vítimas e responsabilizar os agressores são medidas fundamentais para garantir que a internet seja um espaço de respeito, segurança e liberdade para todas.